Me diga, você já amou?
O que é o amor, esse sentimento que é sempre retratado com as melhores palavras e ações possíveis? De inicio, este me pareceu um questionamento desnecessário. Todos sabem o que é o amor pensei eu, mas por que recebo tantas respostas diferentes quando pergunto sobre isso a outras pessoas? Me dei conta de que o amor, assim como a raiva, a tristeza, a alegria e as outras emoções, são experiências individuais que expressamos de forma parecida, por isso, entramos em acordo sobre a natureza das palavras que podem ser usadas para se referir a tal.
Usamos palavras bonitas, confortantes e, as vezes, palavras duras para nos referir ao amor; usamos palavras penetrantes e um tanto poéticas para a tristeza; usamos palavras de intensidade, mas em grau diferente, para ambas raiva e alegria. Mas o que é a emoção em si?
Ao tempo que escrevo isso, percebo que não adianta de muito desenvolver um texto sobre a experiência de algo que não pode ser exata e completamente definido em palavras, sendo que a própria ideia desse texto é uma experiência que perderá partes ao ser colocada em palavras. Me pergunto se podemos, usando nossa comunicação, expressar ou entender algo por completo?
Para responder a essa pergunta, vamos pensar um pouco melhor sobre aquilo que entendemos por conhecimento e aquilo que entendemos como verdade.
O que é o conhecimento? Esse é o tipo de pergunta que faz conversas ficarem interessantes, se tivermos interessados em responder. Eu digo que conhecimento é, em poucas palavras, informação adquirida. Eu conheço sobre tal coisa, por tal motivo, por tal experiência. Este conhecimento é verdadeiro? Depende. A quem pertence o conhecimento e sobre o que se trata? Supondo que seja o conhecimento sobre um alguém, duas pessoas podem falar de um terceiro, a primeira dirá que conheceu o terceiro e que o considera alguém desprezível; a segunda pode dizer que conheceu o terceiro e que é alguém amável, quem fala a verdade? O leitor provavelmente irá concordar como argumento de que para descobrir quem fala a verdade, entre a primeira e a segunda pessoa, é necessário conhecer a terceira pessoa diretamente. A conclusão simples pode ser a de que: a verdade sobre algo depende da perspectiva. Eu, ao conhecer a terceira pessoa, terei uma conclusão diferente dos dois anteriores pela razão óbvia de que eu não sou eles. Mas dentre essas três conclusões sobre a terceira pessoa, qual pode ser considerada a mais real? Todas elas e nenhuma delas. Todas as conclusões são resumos da experiência que cada um dos dois elementos anteriores e eu, o quarto, tiveram com a terceira pessoa e mesmo se essas experiências tivessem acontecido ao mesmo tempo, com os quatro elementos em uma mesma sala ou mesa de bar, cada um teria, ainda assim, conclusões diferentes sobre a terceira pessoa. O relato é verdadeiro em relação a experiência de quem está relatando, mas falso em relação a fonte da informação - a terceira pessoa - pois o relato de uma experiência sobre um algo nunca será igual ou maior que esse algo.
Tudo o que você conhece é sua experiência em relação ao mundo que te rodeia, essa experiência é verdadeira pois é sua, mas nunca será verdadeira para alguém que não é você. Dito isso, podemos usar nossa comunicação para expressar ou entender algo por completo? Podemos nos expressar da forma mais clara possível, mas não conseguiremos expressar a completude da experiência pois ela passa por um filtro mental que reflete a realidade daquela mente; podemos fazer o uso pleno da nossa audição para compreender algo que está sendo dito, mas esse entendimento só será completo através da experiência direta do objeto assunto da conversa.
Suponhamos que o assunto da conversa seja aquele cheiro de terra molhada que vem com a chuva, qual palavras você usaria para descrever esse cheiro de um jeito que a pessoa a quem você está comunicando possa entender exatamente a experiência que você teve? Ela provavelmente vai querer ter essa experiência por conta própria e, quando ter, vai tentar comunicar. Talvez use as mesmas palavras que você, mas a experiência foi a mesma? Há pessoas que tem dificuldade de sentir alguns cheiros, é algo a se considerar; há pessoas que não gostam de chuva e também vale considerar isso.
Pensar esse tipo de coisa me é agradável e exercita meu raciocínio sobre o mundo que me rodeia e oque nele acontece, apesar de não ser algo prático. É difícil expressar esses pensamentos, mas eu gosto de tê-los e de fazer perguntas, muitos buscam respostas sem fazer as devidas perguntas. O que é o conhecimento? O que é a verdade? O que é o amor? O que, exatamente, sou eu? Isso é curiosidade! Nós, como humanidade, não chegaríamos até aqui se não fosse, em partes, pela nossa curiosidade. É através dela que conhecemos as coisas; que entendemos as coisas; que experimentamos o mundo. Seja curioso!
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